
Sempre foram conhecidos por serem "companheiros", companheiros no mais profundo e sentimental significado do termo, ele era um homem bom, calmo, e amava-a inquestionavelmente, com todas as suas forças, ela era simples e puramente amada.
Os anos foram passando, a velhice foi-se apoderando dos seus ossos e do seu sangue, e à medida que foi ganhando terreno, a velha mulher caiu numa cama, donde dificilmente se conseguia levantar, cabia ao marido cuidar da sua mulher da forma mais carinhosa que lhe fosse permitido. Na sua devoção pedia sempre "Deus, quando a levares, leva-me também a mim." Dia após dia, o tempo foi correndo, e cada vez menos tempo ia restando à pobre doente, e dia após dia, o velho proferia as mesmas palavras.
Eis que chega o dia onde a velha senhora solta a sua última respiração, sente o seu último bater de coração. O marido, sai do velho quarto, vai até ao jardim, e tudo o que se sabe é que disse: "com a graça de Deus, ela já está Contigo." E imediatamente após proferidas estas palavras, cai no chão como um fruto cai da sua árvore, tombado e sem vida. Não passou uma hora de diferença entre a morte do casal.
Desta forma, como mandava o costume no antigamente, foram velados, nos seus caixões, lado a lado, foram enterrados juntos e penso que juntos ficaram para a eternidade, ou assim gosto de pensar.
A história correu os jornais da época, emocionou pessoas, e hoje foi contada à mesa de Natal, onde pela primeira vez ouvi-a. Não, não foi uma história mórbida ou triste, foi uma história de amor, pois era o que estávamos hoje a celebrar, o Amor, no caso, a história dos meus bisavós paternos.
Desta forma, como mandava o costume no antigamente, foram velados, nos seus caixões, lado a lado, foram enterrados juntos e penso que juntos ficaram para a eternidade, ou assim gosto de pensar.
A história correu os jornais da época, emocionou pessoas, e hoje foi contada à mesa de Natal, onde pela primeira vez ouvi-a. Não, não foi uma história mórbida ou triste, foi uma história de amor, pois era o que estávamos hoje a celebrar, o Amor, no caso, a história dos meus bisavós paternos.
Numa altura em que estou a conhecer tantas emoções novas, sentimentos que nunca antes sentira, esta história veio-me dar uma certa força e crença que, e perdoem-me o cliché, tudo é possível, e as almas gémeas existem com esta possibilidade.




